O cubismo – A quebra da tridimensionalidade

O mundo durante quatro séculos foi visto pelos olhos renascentistas, sob três dimensões.

Entretanto, pintores que compartilhavam do mesmo isolamento em relação ao público, buscavam uma nova concepção de espaço. Combatendo estilos conservadores, buscando meios puros de expressão.

“A arte não foi feita para enfeitar paredes, é um instrumento de guerra”, disse Pablo Picasso.

Assim como os cientistas, o artista discutiu as concepções clássicas de volume e espaço, criticando sua unilateralidade. Ampliando a maneira de o autoconsciente perceber o espaço.

O cubismo rompe com a perspectiva renascentista, não buscando reproduzir o objeto de um único ponto de vista. Utilizavam pontos de vista diferentes ao mesmo tempo, buscando a simultaneidade. Atravéz de planos que avançam e recuam, se interpenetrando no espaço.

A idéia é discutir essa forma de representação cubista seja atravéz de um único plano como a composição de Mondrian, ou atravéz de vários planos simultâneos como o projeto arquitetônico de Theo Van Doesburg e Van Eesteren.  Ambos influenciados pelos preceitos cubistas. Assim, percebemos que o cubismo foi a principal influência para a quebra da tridimensionalidade como forma de representação, tanto nas artes como na arquitetura.

O Plano

O volume tridimensional é reduzido ao plano. Os ângulos e as linhas começam a crescer, intensificados.  Desprovidos dos aspectos naturalistas.

A cor é utilizada por seu valor espacial e abstrato, independente do objeto, autônoma.

Mondrian sacrifica todo o contato com a reprodução ilusionista, retomando os elementos fundamentais da cor pura, dos planos, seu equilíbrio e suas inter-relações na busca pela “arte pura”.

Segundo Mondrian e Van Doesburg a “arte pura” é atingida atravéz da distribuição e justaposição de planos formados por cores puras: azul, vermelho e amarelo (cores primarias). A estas se acrescenta o preto (não luz) e os tons de branco (luz), numa rede de retângulos. Retângulos e faixas, sem relevo, em inter-relações continuas no espaço, a suspensão e a penetração.

Mondrian pensa que não é possível conhecer nada sem a percepção,mas que a essência das coisas não e conhece na percepção, mas com uma reflexão sobre a percepção, onde a mente opera  sozinha,   partindo de noções comuns.

A pintura de Mondrian consiste em operações sobre noções comuns, elementares da linha, do plano, das cores fundamentais.

Mondiran propõe transformar a superfície (empírica) em plano (entidade matemática). Subdividindo a superfície por meio de coordenadas verticais e horizontais, numa proporção métrica tudo o que, na natureza apresenta-se como altura e largura. A terceira dimensão: são as sensações variáveis segundo a cor local, distância e luz.

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PIET MONDRIAN(1872-1944), Composição com vermelho, amarelo  e azul, 1927, óleo em tela 0,61 x 0,41. Amsterdã, Stedelijk Museum.

Dos oito compartimentos formados pelas linhas negras, cinco são variações de luz. Nos dois extremos da variação do quadro, um retângulo (em altura) vermelho e outro (em largura) azul. Vermelho (quente), azul (frio) são os registros das variações (brancos quentes e frios) que culminam no retângulo (em altura) amarelo, a zona mais luminosa do quadro. Sem as linhas pretas as cores se tocariam, influenciando umas nas outras, não deve existir uma relação de força e sim relações métricas proporcionais.

Para Mondrian, sua pintura se enquadra num perfeito urbanismo, espaço vital de uma sociedade cujos atos puros produtos da consciência em sua unidade sejam ao mesmo tempo racionais, morais e estéticos. A concepção espacial de Mondrian influenciou na arquitetura, não só nas formas, mas na valorização da funcionalidade vital dos espaços sobre a planimetria que os define e os distribui sobre o projeto.

Multifacetamento

A concepção do plano, pelo cubismo teve grande influência no movimento moderno o objeto arquitetônico passou a ser pensado através de planos. Antes disso, Van Eesteren e Theo Van Doesburg já pensavam em uma construção através da sobreposição dos planos, através do fracionamento do cubo as parcelas são dispostas formando um emaranhado de formas.

Van Eesteren e Theo Van Doesburg, projetaram em 1923 uma casa influenciados pelos preceitos cubistas.

Começaram a projetar atravéz de maquetes e desenhos axonometricos, estruturas arquitetônicas hipotéticas, cada qual compreendendo em conjunto assimétrico de elementos planos articulados suspensos no espaço no redor de um centro volumétrico.

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Van Eesteren (esquerda) e Theo Van Doesburg, preparando-se para a exposição Rosenberg em Paris, 1923, com maquete da casa do artista.

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A casa estava de acordo com os ditames da arquitetura, pois era elementar, econômica e funcional, não monumental e dinâmica.

A casa, em sua forma, não tenta congelar os diferentes planos espaciais, pelo contrario, lança-as centrifugamente, a partir do núcleo do cubo e é anti-decorativa na cor.

O principal nível habitacional, no piso superior, com sua “planta transformável” aberta, exemplificando, apesar da sua construção tradicional em alvenaria e madeira, o seu postulado de uma arquitetura dinâmica liberta do empecilho  de paredes estruturais e das restrições impostas por aberturas.

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BIBLIOGRAFIA

Arte e critica de arte;

Giulio Carlo Argan

Arte moderna; do iluminismo aos movimentos contemporâneos;

Giulio Carlo Argan

História Critica da Arquitetura Moderna;

Kenneth  Frampton-

Nayara C. R. Amorim

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