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Park Güell – Um mosaico singular

24/07/2009

Introdução

Gaudí, grande arquiteto catalão, foi o autor de várias grandes obras que hoje embelezam a capital da Espanha. Suas obras são conhecidas no mundo todo e são fortes atrativos turísticos.

O Parque Güell, o Palácio Güell, a Sagrada Família são algumas de suas obras que atraem pessoas do mundo todo para Barcelona.

Foi, sem dúvida, um dos maiores arquitetos da História, mundialmente reconhecido por seus edifícios sinuosos, seus mosaicos, seus jogos de cores e ondulações. Grande represetante do Art Noveau.

Art Nouveau

Arte nova, do francês Art nouveau, foi um estilo estético essencialmente de design e arquitetura que também influenciou o mundo das artes plásticas. Era relacionado com o movimento arts & crafts e que teve grande destaque durante a Belle époque, nas últimas décadas do século XIX e primeiras décadas do século XX. Relaciona-se especialmente com a 2ª Revolução Industrial em curso na Europa com a exploração de novos materiais (como o ferro e o vidro, principais elementos dos edifícios que passaram a ser construídos segundo a nova estética) .

“A Art Nouveau adorava a leveza, a sutileza, a transparÊncia e, naturalmente, a sinuosidade. O ferro significava peças finas e ductibilidade; ferro e vidro  utilizados em esteriores  produziam  a mesma transparência que era obtida em interiores  só com o ferro.”   (PEVSNER, Nikolaus, p.95)

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Caracteriza-se pela temática naturalista(flores e animais), utilização de motivos icônicos, estilícos e  tipológicos, derivados da arte japonesa, preocupação com a morfologia(espiral, voluta, etc.), preferência pelos tons frios, pálidos e transparentes, recusa da proporção e do equilíbrio simétrico, gosto pela sinuosidade e ondulações.

“O Art noveau é um estilo ornamental que consiste no acréscimo de um elemento hedonista a um objeto útil.”   (ARGAN, Giulio Carlo, p.202)

Ruskin afirma que além de útil, pode surgir um valor espiritual. A funcionalidade se identifica com  o ornamento, já que a sociedade tende a se reconhecer em seus próprio instrumentos.

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“ O Art Noveau, visto em conjunto, não expressa em absoluto a vontade de requalificar o trabalho dos operários(como pretendia Morris), mas sim a intenção de utilizar o trabalho dos artistas no quadro da economia capitalista. Pors isso, o Art Noveau  nunca teve o caráter de um arte popular, e sim, pleo contrário, de uma arte de eli te, quase de corte    , cujos subprodutos são graciosamente ofertados ao povo.”  (ARGAN, Giulio Carlo, p.204)

“Os designers Art Noveau voltaram-se para a natureza porque necessitavam de formas que expressassem crescimento não feito pelo homem, formas orgânicas   e não cristalinas, formas sensuais e não intelectuais.”   (PEVSNER, Nikolaus, p.73)

Gaudí possuía um estilo próprio, mas sua visão e a da art noveau coincidiam em muitos aspectos. Gostava muito da forma sinuosa, de ondulações, mosaicos, utilizava muito o ferro torcido, se inspirava muito na natureza.

Gaudí

Antoni Gaudí nasceu em 1852, em um vilarejo humilde próximo à Barcelona. Quando criança, sofria de reumatismo, doença que o fez uma pessoa de caráter reservado e retraído.

Formou-se em 1878 em arquitetura na Escola Técnica Superior de Arquitetura de Barcelona. Ainda na escola, surpreendia a todos os professores  com seus desenhos, sendo chamado de louco e gênio.

Ele sempre estudou em profundidade as formas orgânicas e geométricas da natureza, buscando uma linguagem para demonstrar isso na arquitetura.

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Seus primeiros trabalhos possuem claras influências da arquitetura gótica e da arquitetura catalã tradicional. Nos primeiros anos de sua carreira, Gaudí foi fortemente influenciado pelo arquiteto francês Eugene Viollet-le-Duc, responsável em seu país por promover o retorno às formas góticas da    arquitetura e que anunciava o ferro não somente como possibilidade decorativa, mas também estrutural.
Com o tempo, entretanto, passou a adotar uma linguagem escultórica bastante pessoal, projetando edifícios com formas fantásticas e estruturas completas.

Antoni Gaudí trabalhou essencialmente em Barcelona, a sua terra natal, onde havia estudado arquitectura. Morreu aos 72 anos, vítima de atropelamento.

Suas principais obras são : Casa Vicens (1878-1880), Palácio Güell (1885-1889), Casa Calvet (1899-1904), Casa Batlló (1905-1907), Casa Milà (1905-1907), Parque Güell (1900-1914),  La Sagrada Família (1884-1926)

Seus edifícios apresentam linhas curvas, delicadas, irregulares e assimétricas. Mosaicos e mistura de materiais caracterizam muitas  obras arquitetônicas de Gaudí. Com cacos de vidro e ladrilhos, ele decora construções como o Parque Güell e a Casa Milá, em Barcelona. A Catedral da Sagrada Família é outra obra sua de destaque, a qual não foi concluída até hoje.

gina (5)Casa Millá

gina (6)Casa Vincens

gina (7)Casa Batló

gina (8)Sagrada Família

gina (9)Casa Calvet

Park Güell-1900-1914

É uma extensa encosta de 20 hectares, situado na Muntanya Pelada, considerado o segundo maior parque de Barcelona. Ainda que seu nome denote o caráter público que tem hoje, a idéia inicial apresenta-se como uma área residencial privada, mas não tendo sucesso, os descendentes de D. Eusébio Güell o cederam para parque público.

Eusebi Güell, grande admirador de sua cidade natal deseja que sua cidade tenha um bairro-jardim singular, assim como tantas outras cidades européias.

São construídas duas casas, uma delas seria a nova residência de Eusebi Güell e a segunda seria ocupada por Gaudí, o próprio arquiteto, durantes vários anos.

O parque é composto de dois edifícios que indicam o acesso principal, uma deles funciona como guarita para o guarda do parque e o outro como sala de espera e de reunião para os visitantes. Há uma colunata de inspiração dórica que é suporte de uma grande plataforma, há também viadutos para vencer os desníveis do terreno.

O ponto central do parque o constitui uma imensa Praça oval, de 3.000 metros quadrados, construída entre 1907 e 1913. Sua beira serve de banco e ondula como uma serpente de 110 metros de comprimento. Está recoberto de pequenas peças de cerâmica e cristal, obra de Josep Maria Jujol.

O grande banco ondulado serpenteia a praça, “Teatro Grego”, lugar de descanso, comemorações e reuniões, que esconde em baixo de sua arena um sem-fim de condutos para a captação de águas pluviais, canalizada por 80 colunas, armazenaria em uma grande cisterna de 12.000 metros cúbicos para abastecer  todo o local.

Os muros curvos, uma fonte com um dragão em posição de vigia, um edifício com uma torre suportando uma cruz de quatro aspas, bancos sinuosos e vários outros elementos são os seus sinais de identidade, reflexo da singular personalidade de Gaudí.

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“Lá estão também os suportes retorcidos colocados em diagonal, colunas dóricas quase normais mas inclinadas, abóbodas com estalactites, bem distantes das árvores mortas de concreto e também do encosto      encantador do longo banco  que contorna o espaço aberto no alto, onde as babás  sentam e as crianças brincam. Esse encosto contorcido e curvado , como uma cobra ou algum monstro antediluviano, mesmo assim é alegre, em virtude de suas cores deliciosas , brilhantes e vivas, de número  variado e em combinações aleatórias. O banco  é ornado com faiança e azulejos, da mesma forma como os telhados das casa e pináculos da sua grande igreja, a da Sagrada Família, onde xícaras e pires quebrados, azulejos e cerâmicas quebradas e cacos  de toda espécie foram utilizados. Mais uma vez, Gaudí está mais próximo de Picasso do que de outros militantes da Art Noveau.” (PEVSNER, Giulio Carlo, p. 108)

Porque Gaudí utiliza tantas cores, forma diversas, mosaicos, nada é simétrico, nada é igual, não há imitação, não há monotonia… Gaudí é único, é singular, por isso seja tão fácil identificar suas obras. Ele fez algo único, diferente de tudo que existia até aquele momento, desafiou as leis da física, criou novas estruturas, revolucionou a arquitetura e as artes.

“Há por trás da liberdade incondicional da invenção formal um complexo aparato técnico, o qual, porém, não se vê: como no caso de um dançarino, de cuja difícil técnica deve-se ver apenas o resultado, a liberdade com que se mantém em equilíbrio e se movimenta no espaço, como se não tivesse peso.” (ARGAN, Giulio Carlo, p.222)

“Gaudí une a obra do construtor, que define as estruturas, a do escultor, que modela as massas, e a do pintor, que delimita as superfícies com a cor; além disso, faz convergir para a obra várias especialidades do artesanato:o mosaico, a cerâmica, o ferro batido, etc.”(ARGAN, Giulio Carlo)

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No parque, Gaudí usou pela primeira vez o trencadis, um tipo de mosaico feito a partir de azulejos quebrados.

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Gaudí, que tinha como sua inspiração maior a natureza, esculpe uma grande salamandra, com acabamento em mosaico.

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O banco ondulante é formado por uma seqüência de módulos côncavos e convexos de 1,5 m, com um desenho ergonômico adaptado ao corpo humano

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Foto aproximada do banco em forma de serpente.

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Edifícios da entrada do Parque.

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Fonte de uma das escadarias.

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Um dos viadutos do parque.

gina (20) Pórtico da Lavanderia.

gina (21) Escultura da Lavadeira

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Sala Hipóstila, construída para funcionar como mercado.

gina Vista do Parque


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Bibliografia

ANTONI, Gaudí. Gaudí:150 fotografias. Barcelona: Editorial Escudo de ORO, 1997.

ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. São Paulo, Companhia das letras, 1992.

BENÉVOLO, Leonardo. História da Arquitetura Moderna.

FRAMPTON, Kenneth. História Crítica de la Arquitectura Moderna. Barcelona, Gustavo Gilli, 1987.

GUELL, Xavier. Antoni Gaudí/Xavier Guell. Barcelona: Gustavo Gili, 1986.

PEVSNER, Nikolaus. Origens da arquitetura moderna e do design. São Paulo, Martins Fontes, 1981.

Foto aproximada do banco em forma de serpente.