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Camillo Sitte e a construção urbana – Critica a Ringstrasse e arte na cidade

24/07/2009

ju1Camillo Sitte(1843-1903) foi um arquiteto formado na Escola Imperial e Real das Artes Industriais de Viena, filho de Franz Sitte, também arquiteto.Possuía um vasto conhecimento na área da historia medieval e renascentista por isso usando as duas formas urbanas para a criação do seu conceito de cidade perfeita. Com raízes na Áustria, uma sociedade que lutava para viver com a cultura artesã, ele valoriza o artista e a aparência do espaço como um todo.Apesar de trabalhar em varias cidade faz uma critica fervorosa a Ringstrasse e seu ideal de planejamento.

Sitte e a Ringstrasse

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Ringstrasse-Viena

A chegada da era industrial promove muitas mudanças na cidade, com o aumento de pessoas, a necessidade de espaço pra abriga-las e locais para as fabricas e o comercio. Em Viena essas modificações surgem com as intervenções sanitaristas, como por exemplo a canalização do rio Danúbio a sim de evitar infestações na cidade, e depois com as modificações no Ringstrasse, nessa área foram sendo feitas construções, inicialmente de edifícios públicos e igrejas, mais tarde de casas, se tornando uma área destinada as altas classes de Viena. Para cada edificação construída um estilo clássico era escolhido, com base na função da construção.Assim a discrepância visual entre a função e o estilo da Ringstrasse é marcante aos olhos promove varias discussões a respeito de sua criação e método de definição assim como o planejamento do espaço reto e moderno que contrasta com o centro histórico sinuoso derivado da época medieval.Então surgem diversas linhas de pensamento com relação a Ringstrasse,  Camillo Sitte assume uma posição critica a essa forma de projeção, que ignorava as tradições, em prol de uma adaptação a vida moderna. Criticando a cidade moderna definindo o Ringstrasse como um exemplo de mau planejamento e que deveria ser evitado. Apesar de criticar a essência e função desse planejamento, não se opôs a forma de estilo dos edifícios escolhida, pois lhe agradava as tendências ao classicismo usado nas construções, e não critica a escolha do estilo histórico de acordo com a função do edifício. Ele queria estender essa tendência estética ao espaço urbano, seguir os conceitos de organização usados na antiguidade, pois sentia uma necessidade de um cenário para as construções. Que o local como um todo tivesse uma linguagem, não apenas as obras arquitetônicas, para que elas não ficassem deslocadas em uma espaço de não transmitia uma relação, uma beleza de todo o local de uso. Critica toda a Ringstrasse, pela ausência das construções humanizada, já que a que foi produzida não era convidativa ao passante, e sim agorafóbico, com fachadas intimidantes e desconectadas com o que a circunda. As ruas largas separavam a construção de usuário, um defeito grave na sua visão, assim ele propõe varias medidas para modificar a Ring, cria praças, ilhas de comunidade e em frente aos grandes edifícios espaços para emoldurar a obra sempre visando a interiorização da obra. Usando uma área menor e mais aconchegante que a usada no projeto da Ring, dando a praça uma função voltada para o passante assim como a rua é para o veículo. Sitte buscava uma comunicação das pessoas e a área utilizada, não seguindo a usual impessoalidade da época, apesar da monumentalidade estar presente em seus projetos, projetando espaços como um quadro que daria destaque a construção


A arte e o urbano

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Rinstrasse-residenzplatz

“uma cidade deve ser construída de modo a proporcionar a seus habitantes segurança e felicidade”, nessa frase Aristóteles resume todo o ideal urbanista, sendo seguido por Camillo Sitte. Neste conceito ele agrega o valor do artista como ser importante para a construção da cidade, pois o conforto deriva também da beleza, então não é o matemático ou engenheiro o responsável pela boa construção urbana. Dessa forma dando valor ao histórico e artístico do projeto.

Para Sitte, o espírito artístico e a sociedade moderna eram conceitos opostos, sendo que essa antítese aumentava com o ideal de lucro e a ordem material das coisas sendo necessários para o estilo de vida moderna. Pois é este estilo de vida que aglomerava o urbano e limitava o planejamento do espaço, transformando a cidade em algo plano, retilíneo e monótono.

“Pois sim! Conceber tudo sistematicamente, e nunca se desviar nem por um fio de cabelo da formula estabelecida, até torturar todo o espírito até a morte, sufocar todo o sentido prazeroso da vida, esta é a marca do nosso tempo”(Sitte)

O reto e plano era moderno e desprezado por Sitte,assim como as formas livres da época medieval eram enaltecidas e apreciadas, assim ele passa a fazer um planejamento espacial livre e pitoresco na tentativa de humanizar o urbano. A praça surge como uma forma de restituir a qualidade de vida nas cidades modernas dando ao cidadão uma área livre, mas que permitisse que ele aproveitasse realmente o espaço. Com isso inserindo o edifício em um quadro, promovendo unidade. E foi na praça que ele enxerga uma forma de redimir a cidade, de sair do ideal rígido.

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Bergamo-Italia-exemplo de praça fechada

Apesar de na época seu pensamento não ter surtido o efeito grandioso esperado, atualmente é estudado por urbanistas. Tentando um equilíbrio do público com o privado, e trabalhando de forma belo a disposição do espaço. Sendo o tamanho das ruas e praças discutido muitas vezes pelo pensamento sittiano tentando alcançar o conforto do usuário. Lançando mão da forma livre e permitindo maior relação entre a comunidade, característica que já na época Sitte observa e atualmente é cada vez mais presente e sufocante. Então analisando tendências de sua época ele estimativa uma necessidade futura e lança ao seu modo soluções e ideais.

Aluna:Juliana Santos Mamede

Bibliografia

Sica, Paolo- História del urbanismo- séc.XX

Schorske, Carl –Viena, fim de século

Choay, Françoise- O Urbanismo. Editora Perspectiva, SP, 1992.

Gideon- Espaço, tempo e arquitetura

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