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A ART NOUVEAU

24/07/2009

A Art Nouveau se originou em um movimento social e estético inglês liderado por William Morris (1834-1896), chamado de Arts and Crafts, que rompia com a distinção entre Belas-artes e artesanato, lutava pela valorização dos ofícios e trabalhos manuais, e tentava recuperar o ideal de produção artesanal coletiva, segundo o modelo das guildas medievais.


Apesar de ambas estabelecerem uma transição entre o historicismo e o Movimento Moderno e pretenderem renovar o artesanato e as artes decorativas, a Art Nouveau acabou se tornando um estilo elitista e de lucro, já que por sua produção ser cara, acabou excluindo o popular, não expressando em absoluto a vontade de requalificar o trabalho dos operários como pretendia Morris.

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Assim como Morris, um teórico francês chamado Viollet-le-Duc, defendia a unidade nas artes, valorização do artesão sem, no entanto, ignorar o papel importante da máquina na produção. Ele influenciou grandes arquitetos da Art Nouveau, com seu nacionalismo cultural e utilização de novos materiais, como Vitor Horta, Hector Guimard, entre outros.

O termo Art Nouveau surgiu com a criação da galeria parisiense L’Art Nouveau, aberta em 1895 pelo comerciante de arte e colecionador Siegfried Bing. O projeto de redecoração da casa de Bing por arquitetos e designers modernos foi apresentado na Exposição Universal de Paris de 1900, Art Nouveau Bing, conferindo visibilidade e reconhecimento internacional ao movimento.

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O movimento teve caráter tipicamente urbano, e se difundiu em lugares na Europa e nos EUA onde a indústria já tinha se desenvolvido, se tornando uma moda, do gosto da burguesia moderna adepta do progresso industrial, instaurando um regime cultural uniforme com ligeiras variações locais, acontecendo em todas as categorias de costume, desde vestuário a construção civil.

Os primeiros indícios do movimento foi entre 1883 e 1888, com Arthur H. Mackmurdo, um jovem arquiteto, que escreveu um livro sobre as igrejas urbanas de Wren, com um design totalmente Art Nouveau, cheio de formas assimétricas e delgadas, que derivavam da natureza.

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A temática naturalista é uma das principais características do movimento, que por se recusar a ter qualquer ligação com o passado, se volta para formas que expressem o crescimento não ligado ao homem, como formas orgânicas e sensuais.

A morfologia do movimento é, portanto, baseados nas curvas e suas variantes, que surgem dos cantos e cobrem toda a superfície disponível. Tem uma preferência por tons frios, pálidos e transparentes, buscando ritmos musicais, querendo comunicar um sentido de agilidade, liberdade, juventude e otimismo, através de detalhes delicados que prendam a atenção.

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Os materiais maleáveis foram os mais ideais para o movimento, como a cerâmica, o vidro e principalmente o ferro, sendo o último utilizado não apenas como material decorativo como também estrutural.

No começo do movimento havia uma priorização pela função, as curvas eram usadas apenas como caráter decorativo, mas com o tempo o ornamento deixa de ser acréscimo para se fundir com a própria funcionalidade do objeto, transformando-se de superestrutura para estrutura.

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Sua difusão se deu principalmente através de revistas, e pelas exposições mundiais e espetáculos. Foi largamente empregada em porcelanas, vidros, jóias e livros, e sua

quase ausência de temas religiosos, é outra característica que a diferencia do trabalho do Arts and Crafts.

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Muitos estudiosos disseram que a Art Noveau teve caráter apenas decorativo, não existindo como arquitetura. Essa afirmação não pode ser considerada correta, uma vez que observando as construções de Vitor Horta, é possível perceber nitidamente características genuinamente arquitetônicas.

Vitor Horta foi um arquiteto nascido na Bélgica, país que possuía uma independência autentica e procurava um estilo moderno e nacional, que só foi materializado através da Art Nouveau em 1892, com o próprio arquiteto, em seu projeto do Hotel Tassel em Bruxelas.


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O Hotel Tassel é uma casa que consiste em três partes diferentes. Dois edifícios bastante convencionais em tijolo e pedra natural – com uma frente para o lado da rua e uma para o lado do jardim – ligados por uma estrutura metálica revestida com vidro, funcionando como uma conexão na casa. No átrio contém uma célebre escada, com degraus de madeira natural, sustentados por uma estrutura de metal aparente que liga as diferentes salas e andares. O telhado de vidro funciona como iluminação zenital, trazendo luz natural para o centro do edifício. Nesta parte da casa, que poderia também ser utilizada para receber convidados, Horta usou o máximo de suas habilidades como um decorador. Ele projetou cada detalhe; maçanetas de madeira, painéis e janelas com vitrais, piso de mosaico, corrimão cheio de curvas sinuosas, e até os papéis de parede decorativos e o mobiliário. Nessa casa Horta conseguiu integrar a pródiga decoração sem mascarar as estruturas arquitetônicas.

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Após o Hotel Tassel, Horta construiu várias outras residências, entre elas a Maison du Peuple, em 1897, feita para abrigar os escritórios do Sindicato dos Trabalhadores Socialistas, onde os princípios de Viollet-le-Duc foram largamente utilizados.

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A estrutura do prédio é em aço dentro de uma caixa de paredes descontínuas, revelando-se claramente ao exterior, intercalando as amplas paredes de vidro com junções em madeira natural. Os trechos em alvenaria fecham o campo envidraçado e ligam o edifício a arquiteturas que o circunda, feita de alvenaria. No interior, Horta conseguiu uma expressão bem fluída através da estrutura de ferro exposta em todos os volumes principais, como as salas de reunião e oficinas. O projeto foi considerado como sua obra-prima e um dos trabalhos mais influentes do arquiteto.

Já na França com a revolução industrial, uma classe média surge, trazendo uma necessidade de consumo. Os produtos são feitos em série pelas maquinas, perdendo a originalidade e qualidade. Nesse momento a Art Nouveau também ganha destaque no país, chegando ao seu ápice em 1890 a 1900.

Nesse intervalo surgiu Hector Guimard, arquiteto francês, que teve grande sensibilidade no uso dos novos materiais, destacando-se não apenas pelos seus projetos arquitetônicos como de mobiliário e objetos decorativos.

Ele foi responsável pelo projeto das estações do Mêtro de Paris em 1900, utilizando exclusivamente o ferro e o vidro. Seu objetivo era o acesso ao transporte com a leveza que o convém, usando linhas sinuosas, contrastando com detalhes salientes e ossudos.

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As entradas foram construídas com peças de ferro em serie e alternadas, fundida em forma de elemento naturais e emolduradas por aço esmaltado e vidro.Ele tratou da iluminação dessas estruturas como uma continuação sinuosa de sua forma. Essas construções foram erguidas em um período de quatro anos, dando a Guimard a fama como criador do “estilo mêtro”

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Enquanto as estações se aproximaram da expressividade linear de Horta, sua outra obra, Castel Beranger n° 16 da Rua Fontaine em Passy (1894-8), teve menos destaque que as casas de Horta, mas apresenta maior liberdade no emprego de detalhes decorativos, especialmente no trabalho em ferro dos portões.

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Nunca inteiramente resolvido como uma composição total, o Castel Béranger é, no entanto, um importante trabalho de transição na carreira de Guimard. A decoração em forma de galho e caule no mobiliário interior e nos trabalhos em ferro no exterior representam um curioso contraste com o articulado arquitetônico, mas disjuntivos elementos que compõem o complexo da massa do exterior do edifício.

Com 36 apartamentos, cada um diferente do outro, o Castel Béranger é uma curiosa composição de um planejamento racional e não-racional de intenções e expressão. Guimard teve de explorar a sua concorrência como uma ocasião para promover o estilo Guimard. Para esse efeito, criou uma exposição do edifício e do seu conteúdo, no Salon du Figaro em 1899 e, simultaneamente, publicou um livro do trabalho sob o título, L’Art dans l’habitação moderne: Le Castel Béranger.

Localizado no subúrbio em crescimento de Auteuil, o Castel Béranger deu a Guimard uma excelente oportunidade para demonstrar a sutileza de seu estilo sintético, em que referências urbanas e rústicas poderiam ser sensatamente misturadas.

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Ornamental seahorse and balcony at Castel Beranger Art Nouveau a

A influência de Guimard pelas idéias de Horta, mostra certa dependência da França em relação a Bélgica, não deixando no entanto de ser um país onde o movimento possuiu extrema força.

Apesar da Art Nouveau ter alcançado outros países como a Alemanha, a Espanha e os EUA (nem sempre sendo referida com o mesmo nome), foi na França e na Bélgica onde ela alcançou maior préstigio e foi amplamente difundida.

Pode-se concluir que a Art Nouveau foi principalmente baseada no individualismo, onde a máquina já está aperfeiçoada e pode executar projetos com precisão, mas ainda é necessária a sensibilidade dos artistas e artesãos para projetar e finalizar detalhes de execução. Eles tinham como preocupação a criação de um estilo novo, que combinasse o rococó com motivos derivados da arte japonesa, produzindo sempre objetos que tivessem um valor de uso, do que apenas decorativo, trazendo inovações que se voltavam para o futuro.

A Exposição de 1900 em Paris foi o apogeu e ao mesmo tempo o final da Art Nouveau.

A arte que no começo era muito cara, fazendo com que apenas um limitado número de pessoas mais abastadas conseguisse arcar com os custos de sua produção, foi se popularizando e difundindo, sendo produzida em quantidades bem maiores, diminuindo assim os seus padrões de qualidade. Ela havia se tornado o que havia sido concebida para combater.

Em 1905 o movimento havia praticamente encerrado, mantendo-se apenas em alguns países, em alguns trabalhos comerciais, sem nenhum ímpeto criativo.

Apesar de sua curta duração a Art Nouveau cumpriu os seus objetivos, ela mostrou que não era necessário basear-se em estilos antigos para se criar um novo, e que a alta qualidade de projetos e da execução podia caminhar lado a lado com as experiências.



Lara Freire Borges
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