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Auguste Perret e o edifício da Rue Franklin

23/07/2009

No período entreguerras, na Europa, foi marcante a presença de vanguardas que, no campo arquitetônico, constituíram o Movimento Moderno. Mas desde o final do século XIX discutia-se a necessidade de renovar a linguagem arquitetônica em face das novas técnicas e demandas da sociedade industrial. Art Nouveau, Art Déco e variantes racionalistas propuseram, antes e durante a afirmação do modernismo, outras soluções para orientar a construção moderna e superar as limitações do academicismo historicista. (4)

Nesse período, considerava-se que a forma arquitetônica não deveria ser atrelada aos princípios das vanguardas modernistas, mas, deveria buscar uma conciliação entre os princípios consagrados pela tradição com a atualização tecnológica, a adequação aos novos programas, o uso das técnicas construtivas disponíveis e a preocupação com as condições climáticas e outras referências locais.

Estas arquiteturas pretendiam tanto reciclar o classicismo acadêmico, modernizando-o, como tentar uma conciliação entre o ecletismo vigente e o racionalismo europeu.

Essa modo de expressão arquitetônica pautado no racionalismo possibilitou a perpetuação dos princípios da composição, da proporção e da simetria acadêmica e, ao mesmo tempo, permitiu maior liberdade projetual por meio de uma espacialidade mais dinâmica, com preferência por volumes puros, uma estética mais simplificada e racionalidade construtiva referente ao emprego das novas tecnologias em associação com elementos compositivos e decorativos derivados de uma depuração dos estilos históricos. Estas arquiteturas pretendiam tanto reciclar o classicismo acadêmico, modernizando-o, como tentar uma conciliação entre o ecletismo vigente e o racionalismo europeu.

Para Frampton, o racionalismo clássico seria a busca por um estilo adequado aos tempos modernos por meio de uma reavaliação da tradição clássica, resgatando seus princípios fundamentais . A motivação projetual não era a cópia dos estilos antigos, mas a obediência aos princípios em que se baseavam.

Para vários autores, o racionalismo europeu foi de fundamental importância para a aceitação e amadurecimento do Movimento Moderno. Essa característica pode ser percebida no trabalho de Auguste Perret, em seu edifício na Rue Franklin.

Auguste Perret

Perret, nascido em Bruxelas – Bélgica, 1874, entrou na Ecole de Beaux-Arts não se formando por negar-se às atividades de empreiteiro. Herdou a construtora do pai e com seu irmão Gustave, e explorou as possibilidades do concreto armado tornando- se um especialista. Criou uma arquitetura que combinava teorias modernas a elementos góticos preocupando-se com textura e detalhes. O empreendimento na Rue Franklin, edifício de apartamentos de planta livre cuja estrutura em concreto armado era enfatizada pelo tratamento na fachada, foi um de seus projetos mais significantes.

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Em termos de composição, o Edifício da Rue Franklin condensava fachadas divididas em cinco compartimentos que se estendiam por seis andares,  realçados pelas estruturas de duas sacadas abertas, até um piso adicional “de remate” antes de retroceder. A articulação proveniente de suas colunas e a elevação de seu telhado conferem algo de gótico à estrutura ortogonal. Sua fachada em “U” contribui para enaltecer essa característica.

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A composição se daria ora com as janelas ora com os sólidos revestidos de cerâmicas em mosaicos, conferindo um ar de Art Noueou, enquanto o restante da estrutura em concreto armado desse edifício foi revestida para sugerir uma construção de lintéis e pilares em madeira, já apontando os futuros estudos de Le Corbusier acerca da planta livre.

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Referências:

1. Frampton, K. História Crítica da Arquitetura

2. http://www.educatorium.com/projetos/projetos_biografias_int.php?id_projetos_biografias=52

3. http://www.greatbuildings.com/buildings/Rue_Franklin_Apartments.html

4. http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp167.asp