Archive for the ‘Nathália Barros Abate Rotelli’ Category

26/07/2009

As Grandes Exposições

 

              As Grandes Exposições começam na primeira metade do século XIX, com caráter nacional, e apenas em 1850 se tornam universais, com a atenuação das barreiras alfandegárias e com as novas possibilidades do comércio que se abre.

              A primeira Exposição é realizada em Londres em 1851. Em 1849, o Principe Alberto, casado com a Rainha Victória e presidente da Royal Society of Arts, teve a ideia de convidar exibidores de todas as nações civilizadas para participarem numa grande exposição. Foi realizado um projeto para ser o local da exposição num espaço curto de tempo, onde são utilizadas peças pré-fabricadas de ferro fundido, a madeira e o vidro, de forma q a obra ficasse com o preço baixo e nos limites da previsão, e assim Sir Joseph Paxton com sua experiência na construção de estufas o fez. Era uma longa forma retangular de volume em degraus interceptada ao meio por um transepto com abóbada redonda, consistia numa rede intricada de finas colunas e tirantes, suportando paredes de vidro transparente. Tinha 610 metros de comprimento por 150 de largura e 22 m. de altura, abarcando uma área coberta de 70.000 m2. No rés do chão e galerias havia mais de 12 quilómetros de mesas expositoras. Esta obra foi chamada de O Palácio de Cristal, o qual foi desmontado e remontado em Sydenham, onde fica ate o incêndio de 1937. O Palácio foi importante na relação entre a técnica e a representação e expressão da obra. Muitas realizações novas daquela época chamavam a atenção dos visitantes. Podemos citar a segunda exposição em Paris, que foi realizada no Campo de Marte em um edifício de forma oval composto por sete galerias concêntricas, onde cada nação representava seus produtos em um setor. Todos os novos projetos ora são louvor pelos críticos e ora são censura, porém é através delas que Jules Sulnier construiu o primeiro edifício com estruturas de aço, a oficina Mernier em Noisiel-sur –Marne. A exposição de Paris de 1889 foi a mais importante, compreende num conjunto que relacionam entre si, um Palácio em forma de U, a Galerie de Machines e a Torre de 300 metros, construída por Eiffel no eixo da ponte que leva ao Trocadéro.

           A Exposição de Paris de 1889 centrava-se na “Torre de Gustav Eiffel” com 300 m. de altura, pesando mais de 7.000 toneladas e tendo mais de um milhão de rebites. Tinha duas longas galerias devotadas ás Belas-Artes e ás artes decorativas, por detrás ficava o imponente “Palácio das Máquinas”. Este ultimo, projetado por Ferdinand Dutert e construído por M. Contamin, excedia em tamanho qualquer vão coberto construído até á data, com as suas 20 treliças principais, cobrindo um comprimento de 380 m. e cada uma vencendo 144 m. de vão livre. As treliças trianguladas formavam arcos apontados sendo articuladas na sua base por eixos.  Assim o vão é reconduzido nas pessoas em movimento e os objetos que nele estão, trata-se de um ambiente ilimitado, definido por um ritmo recorrente a perder de vista, ganha uma característica de dinâmica pelas dimensões insólitas, o mobiliário e a grande multidão, a galeria foi demolida, porém a Torre de Eiffel ainda permanece, foi através das experiências com pilares metálicos de pontes que foi possível a sua construção, foi calculada de maneira a resistir a ação do vento, mesmo com as falhas da Torre como, a descontinuidade do desenho e pelas superestruturas decorativa, é de suma importância para a paisagem de Paris, a Torre pode ser vista de quase todos os cantos da cidade.

              No meio disso, encontra-se a discussão sobre os materiais novos e sobre a relação entre arte e ciência e também ao ensino técnico e suas relações com a formação artística, segundo a Academia os Arquitetos não são meros artistas, mas aqueles que saem aptos para trabalhar e colaborar com os engenheiros. Embora criticado por muitos, esse marco foi um enorme sucesso popular e fez acirrar a disputa entre “racionalistas” e “ecléticos” , uma vez que estes últimos criticavam a racionalidade estética das obras utilitárias realizadas por engenheiros sem aparente intenção plástica. Alguns dos principais passos dos processos inovadores foram dados por engenheiros e não por arquitetos. Apesar do antagonismo e rivalidade que geralmente reinava entre as carreiras, alguns esclarecidos perceberam a importância da cooperação entre as duas profissões, e foi da colaboração entre engenheiros e arquitetos que nasceram as mais belas e perspectivas obras da construção metálica.

O Estilo Art Nouveau

25/07/2009

O Estilo do Art Nouveau

Pelo que foi influenciado e como influencia até hoje

PARTE I

PARTE II

PARTE III

PARTE IV

PARTE V

PARTE VI

PARTE VII

Nathália Barros Abate Rotelli – 92766

O Estilo do Art Nouveau – Parte I

25/07/2009

O Estilo do Art Nouveau

Pelo que foi influenciado e como influencia até hoje

INTRODUÇÃO

O trabalho tem como objetivo fazer uma descrição do “estilo” da Arte Nova (Arte Nouveau), demonstrando os diversos movimentos que inspiração a arte e o grafismo desta.

Também, busca definir  a Arte Nova como inspiradora e precursora do design gráfico da época, influenciando este até os dias de hoje, seja essa influência na arte em si, ou nas técnicas utilizadas.

ANTES DA ART NOUVEAU


Ao analisarmos o século XVIII, nos deparamos com uma época de grandes mudanças, catalisadas pela Revolução Industrial. A Inglaterra era um paraíso burguês, e oportunamente, em 1851, ela é sede de uma das Exposições Universais, que assustava seus visitantes devido ao tamanho dos pavilhões (e dos novos materiais – vidro e metal – aplicados) e da quantidade de objetos e tecnologias expostas, todos novidades para o grande público.

Envolvendo todo o ar de novidade causado pela Revolução Industrial, encontramos uma grande falta de sensibilidade estética nos produtos que foram surgindo. A indústria levou a criação dos mais fantásticos objetos, porém não fez com que a arte progredisse. Observa-se o desconhecimento do artista em relação as formas, materiais e padrões. Isso ocorria graças ao distanciamento da produção gráfica e da produção do objeto em si nas grandes indústrias, que contava com uma mão de obra desqualificada e extensamente explorada, sem senso artístico e capacidade de crítica.

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Tapeçaria de William Morris

Depois do “fracasso estético” que configurou a Grande Exposição de 1851, tentou-se criar “manufaturas artísticas” (objetos manufaturados com um desenho mais elaborado e bem pensado). Morris foi o mais expoente desses homens, pois ele dizia que era necessário que o artista fosse também produtor de sua obra, distanciando-se da “manufatura artística” para retornar ao artesanato, além de possuir grande senso artístico e de “reconhecer a unidade indissolúvel de uma época e do seu sistema social”1

“Cabe-lhe o mérito de ter regressado a figuras simples, a atitudes simples, a cores simples, a fundos ornamentais, no que foi ajudado pelos seus amigos e mestres pré -rafaelitas.1


As idéias de Morris influenciaram fortemente jovens artistas a dedicarem-se ao artesanato. A volta da produção manual, em tempos industriais inicia a criação da “moda”, do fetiche por uma mercadoria mais refinada, e o importante, única.

Estante, design de William Morris

Estante, design de William Morris

Na pintura da época de 1890, é possível observar a tentativa da criação de algo totalmente novo. Citamos artistas como Cèzanne, Gauguin, Van Gogh, Munch, Lautrec, e muitos outros.

Novos temas e influências são constantes na pintura dessa época. Podemos citar duas importantes nos artistas que analisaremos nesse trabalho: o pré-rafaelismo e o simbolismo.

É nesse contexto, com o surgimento do movimento Arts and Crafts, a influência de Morris e de outros movimentos artísticos, que temos o surgimento de um movimento conhecido como Art Nouveau, com a tradução de Arte Nova para o português.

Tapeçaria de William Morris

Tapeçaria de William Morris

1 Pevsner, Nikolaus. Pioneiros do Desenho Moderno, pág. 59

(Clicar nas imagens para ver uma versão maior)

O Estilo do Art Nouveau – Parte II

25/07/2009

O Estilo do Art Nouveau

Pelo que foi influenciado e como influencia até hoje

PRÉ-RAFAELISMO

Os pré-rafaelitas foram um grupo de artistas, críticos e poetas ingleses, também conhecido como Irmandade dos Pré-Rafaelitas, que surgiu em 1848. Ansiavam por uma mudança na arte que existia naquele momento na Inglaterra, e essa mudança ocorreria ao retornarem ao estilo dos grandes mestres do quattrocento, ignorando o que viesse após Rafael (que era duramente criticado), ou seja, o maneirismo, o barroco, que eram considerados artes acadêmicas, não sinceras diante da natureza.

Pintura pré-rafaelita

Pintura pré-rafaelita

Eram românticos, que desejavam devolver a arte a sua pureza, e honestidade que haviam sido perdidas com os novos movimentos.

“Afirma-se a necessidade de um novo naturalismo, pois reconhece-se à natureza uma poeticidade intrínseca própria e um sentido de misteriosa mensagem divina; contudo, o meio indicado para decifrá-lo não é o sentimento da natureza, e sim uma técnica pictórica humilde, honesta, precisa, semelhante à dos antigos mestres e artesãos.”

A arte não tem a intenção de se submeter a regras rígidas, considerando a criação artística algo que deva ser livre de imposições acadêmicas. Um exemplo é a eliminação da linha do horizonte.

Busca-se a beleza poética, que vai além da realidade, que envolve alma e espiritualidade (vê-se ai uma ligação com um movimento religioso conhecido como Redespertar Católico). A pintura com base no desenho vai resultar em imagens quase ornamentais repletas de pormenores e detalhes, onde o traçado fluido e gráfico busca realçar aspectos estéticos, independentemente da sua semelhança ou não com a realidade. Surgem  cores luminosas, esmaltadas, que ajudam à sensibilidade estética de pinturas poéticas onde o romance e o erotismo, unidos a uma certa inocência, têm lugar de destaque.

Pintura pré-rafaelita

Pintura pré-rafaelita

A doutrina pré rafaelita era expressa em 4 declarações:

  1. Ter idéias genuínas para expressar
  2. Estudar a natureza, e assim como modos de expressa-la
  3. Simpatizar com o que é direto e sério na arte posterior, e excluir o que é convencional, acadêmico.
  4. E o mais importante, ter uma produção bela. Sendo o belo um sentido idealizado da figura.

(Sobre a última, é interessante dizer que as pinturas pré-rafaelitas, devido a sua fidelidade quase fotográfica de figuras humanas somada com a bela maneira de usar o cenário com intricados detalhes, se tornaram objetos de alto valor e status entre a sociedade)

Pintura pré-rafaelita

Pintura pré-rafaelita

Há também uma grande influência do medievalismo em diversas obras pré-rafaelistas, embora esta se configure mais na estética, e a contradizendo quando comentamos sobre a representação da natureza.

Podemos ver essas idéias no pensamento de Morris  e Beardsley (que possui uma série de gravuras todas pré-rafaelitas). Também encontramos influência em Mucha, na representação idealizada da mulher e vestuário, e nas formas belas e graciosas de detalhes.

Pintura pré-rafaelita

Pintura pré-rafaelita

Pintura pré-rafaelita

Pintura pré-rafaelita

Pintura pré-rafaelita

O Estilo do Art Nouveau – Parte III

25/07/2009

O Estilo do Art Nouveau

Pelo que foi influenciado e como influencia até hoje

SIMBOLISMO e ARTE NIPÔNICA


Quando comentamos a influência simbolista, devemos nos atentar ao fato que ela foi muito mais expressiva no campo gráfico do que no da filosofia.

Pintura Simbolista

Pintura Simbolista

O simbolismo é pautado pelo subjetivismo, musicalidade e transcendentalismo. É a busca pelo sonho,  inconsciente, o eu. Também é o misticismo, fantasia, imaginário. O vago, indefinido, impreciso.

Os pintores simbolistas uniram mitologia e o imaginário dos sonhos para uma linguagem visual da alma, invocando pinturas que levassem a mente a um mundo estático de silêncio. Os símbolos utilizados não eram emblemas nem do iconografismo, mas algo intensamente pessoal, obscuro e com referências ambíguas

Pintura Simbolista

Pintura Simbolista

Outra grande influência  pintores do Art Nouveau, é a arte japonesa. O ocidente assimilou a ausência de perspectiva e das sombras no desenho, o valor das figuras tem o mesmo valor do fundo, a cor em função da bi-dimensionalidade; a assimetria e a essencialidade das formas estilizadas. Traços leves, sinuosos, com a figura humana sendo contornada pela linha. Também é da arte japonesa a combinação do desenho com a tipografia.

Gravura Japonesa

Gravura Japonesa

Gravura Japonesa

Gravura Japonesa

Gravura Japonesa

Gravura Japonesa

Pintura em seda de motivos japoneses

Pintura em seda de motivos japoneses

Pintura em seda de motivos japoneses

Pintura em seda de motivos japoneses

O Estilo do Art Nouveau – Parte IV

25/07/2009

O ART NOUVEAU

Foi um estilo ornamental que existiu durante os anos de 1890 até 1910 na Europa, e se estendeu até os Estados Unidos. É caracterizado por uma linha orgânica, sinuosa, delicada, longa e elegante, e assimétrica, tomando frequentemente a forma de haste de flores, bulbos, videiras, asas de insetos, e outras formas naturais, como algas e folhagens. Essa linha também é impregnada de uma força rítmica, como o movimento de um chicote no ar.

por Guimard

por Guimard

Na arquitetura, o ritmo orgânico e linear envolve uma construção, mostrando uma união de ornato e estrutura (a linha arquitetural e a decoração se fundem e reforçam) , juntamente com a utilização de novos materiais como o ferro e o vidro. Todos os setores decorativos foram influenciados, joalheria, desenho industrial, mobiliário, tecidos, artes gráficas, etc.

Sendo um estilo predominantemente ornamental, todos os objetos e mobiliários adquiriam essa característica, que acompanhava até mesmo a figura humana, quando utilizada.

Fachada no Estilo Art Nouveau

Fachada no Estilo Art Nouveau

Os artistas ansiavam por representar seus sentimentos em suas imagens, que eram transmitidos pela linha pura. Evitava-se a lei da gravidade e perspectiva, não havendo diferença de objeto e fundo. A assimetria dominava, e enfatizada, não existindo uma simples duplicação da forma.

O “Art Nouveau” foi um estado de espírito da época, que buscava restaurar a arte da estagnação em que se encontrava, estando ai, uma clara influência de Morris (ver primeiro tópico).

Art Nouveau cabinet

Art Nouveau cabinet

Uma das principais influências do estilo foi a natureza, mas contrária do Impressionismo.  Seus artistas não buscavam transmitir sensações provocadas pela natureza, mas procuravam analisar os detalhes, fazendo brotar verdadeiras metamorfoses decorativa até chegarem a uma síntese, convertendo efeitos da luz em decoração, por exemplo, e capturando linhas da natureza e reduzindo-as a um esquema.

O abandono da máquina é outra grande influência de Morris (em exceção importante, de papéis de parede, ilustrações de livros e trabalhos têxteis, que aproveitaram de forma positiva as novas tecnologias, principalmente gráficas, e que contribuiu muito para o design gráfico). Sendo assim, a maioria dos trabalho eram feitos a mão, não permitindo a reprodução industrial em quantidade, o que fazia com que cada objeto fosse único e cobiçado.

Escadaria com ornamentos do estilo Art Nouveau

Escadaria com ornamentos do estilo Art Nouveau

Podemos então resumir o movimento em algumas características chaves:

1-      Temática naturalista (flores e animais);

2-      Motivos icônicos, estilísticos e tipológicos derivados da arte nipônica;

3-      Arabescos lineares e cromáticos; preferência pelos ritmos baseados na curva e variantes; a cor, tons frios, pálidos, transparentes, formados por zonas planas, ou esfumadas

4-      Recusa da proporção e equilíbrio simétrico, a busca de ritmos musicais, em elementos ondulados e sinuosos

5-      Propósito de comunicar por empatia um sentido de agilidade, elasticidade, leveza, juventude, otimismo.

Horta House

Horta House

Horta House

Horta House

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Horta House

O Estilo do Art Nouveau – Parte V

25/07/2009
Estúdio de Mucha

Estúdio de Mucha

ALFONS MUCHA

La Dame Aux Camelias - Mucha (Cartaz para teatro)

La Dame Aux Camelias - Mucha (Cartaz para teatro)


Mucha foi tão famoso na época do “Art Nouveau”, que seu estilo, conhecido como Mucha Style, por muito tempo, foi sinônimo do movimento. Impressionantes motivos decorativos, uma inesgotável riqueza em elementos pictóricos, um traçado delineado de forma caligráfica, com uma figura-tipo estilizada, uma mulher idealizada, bela, com ar de menina, integrada com um sistema ornamental constituído por flores, trepadeiras, símbolos e arabescos.

Zodiaco - Mucha

Zodiaco - Mucha

Sua fama se deu também, graças ao fato dos processos de reprodução estarem bastante avançados, permitindo a disseminação de seu trabalho por uma grande parcela do território, por meio de cartazes, painéis decorativos, calendários, revistas, ilustrações de livros, etc.

Cartaz para cigarros Job - Mucha

Cartaz para cigarros Job - Mucha

O início de seu sucesso se deu graças a um painel feito para a obra Gismonda, interpretada por Sarah Bernhardt. Inovou no formato, que era estreito em altura, com a figura da atriz quase em tamanho real, oferecendo um efeito dramático de alto nível, juntamente com o requinte e riqueza das cores. Esse cartaz, continua a ser considerado exemplar de idéia moderna de cartaz publicitário.

Gismonda - Mucha (Cartaz para teatro)

Gismonda - Mucha (Cartaz para teatro)

Observamos que Mucha não ficou alheio a influência da arte asiática, abusando da bidimensionalidade linear, assim como a utilização e recriação estilizada de formas da natureza que se tornaram determinantes para os representantes da arte nova.

Outono - Mucha

Outono - Mucha

Também é possível notar uma grande influência simbolista. Porém, subjugava os motivos pictóricos e gráficos simbolistas a um efeito geral apenas decorativo.

Reverie - Mucha

Reverie - Mucha

Aproveitava-se também do momento, em que as artes gráficas estavam em voga graças aos trabalhos de Toulouse-Lautrec, Eugène Grasset e outros. A arte também estava se democratizando, e o estético é valorizado, existindo até cartazes publicitários de alta qualidade.

Propaganda de biclicetas - Mucha

Propaganda de biclicetas - Mucha

Uma característica notável de Mucha são os cabelos, que se configuram como o centro da composição. As madeixas hiperlongas, estilizadas em forma de arabescos e floreados ou esvoaçando livremente ao vento, envolvem toda a figura. As vestes que se moldam ao corpo, trajes fantásticos e intemporais, e tecidos drapejados com pregas ornamentais, acentuando ainda mais o caráter decorativo da decoração, demonstrando um vocabulário formal extremamente rico.

Cartaz para Champagne - Mucha

Cartaz para Champagne - Mucha

Mucha também era escultor e ourives, produzindo jóias e esculturas em que seu estilo é claramente evidenciado.

Estudo de jóias - Mucha

Estudo de jóias - Mucha

Jóia - Mucha

Jóia - Mucha

Madonna in the Lilies - Mucha

Madonna in the Lilies - Mucha

Escultura de Mucha - Natureza

Escultura de Mucha - Natureza

O Estilo do Art Nouveau – Parte VI

25/07/2009

BEARDLSEY

Possuiu poucos trabalhos coloridos, sendo que a maioria de suas obras limitavam-se ao preto e branco, finalizados com nanquim. Sua arte foi unicamente gráfica, e executada a servir à reprodução mecânica do traço, feita em tamanho maior para ser reduzida, valorizando o desenho.

Linhas retas contrapõem-se a sua estabilidade dinâmica de linhas serpenteadas, uma mistura que demonstra grande sensibilidade vinda do artistas.

Frontispicio - Beardsley

Frontispicio - Beardsley

Seu trabalho caracteriza-se, principalmente, pelo uso da linha, mas também pelo tipo de divisão dos espaços, pela distribuição das massas, pelo caráter decorativo, pela simplicidade das formas pelas figuras planas e pela despreocupação com a perspectiva.

Entre suas obras, podemos dividi-lo em várias fases, sendo as importantes para esse trabalho, a pré-rafaelita e a da “Art Nouveau”.

Siegfried - Beardsley

Siegfried - Beardsley

A primeira apresenta diversos elementos decorativos, com motivos fantásticos e até bizarros.

Venus - Beadsley

Venus - Beadsley

Sua fase arte nova, com grandes influências do “japonismo”, com riqueza de idéias novas, simplicidade de temas, e técnicas, com seu linearismo típico inglês.

Salomé - Beardsley

Salomé - Beardsley

O Estilo Arte Nouveau – Parte VII

25/07/2009

INFLUÊNCIA NO DESIGN GRÁFICO E INDUSTRIAL

O fato dos desenhos e gravuras do “Art Nouveau” se aproveitarem das descobertas industriais foi de grande importância para o advento do design gráfico e industrial, influenciando até hoje.

Com o fato da arquitetura e mobiliário se configurarem como objetos de desejo das massas, mas sendo reservadas a apenas os que possuíam capital para comprá-los, fez com que o “Art Nouveau” e tudo inspirado a ele se tornasse moda. Com isso, todo objeto que era possível de ser adquirido pelas massas, era vorazmente consumido.

Sendo assim, a produção de cartazes, revistas, folhetos, ilustrações, era alta. E o mesmo acontecia com o consumo desses pela população.  A produção também era incentivada, mas era sempre necessário manter o nível gráfico com grande qualidade.

Mucha foi um desses artistas, cuja obra foi extensamente distribuída e vendida. Produziu cartazes para teatro, folhetos, propagandas publicitárias (cigarros, bicicletas, etc). Até hoje, seu estilo gráfico e modelos publicitários influenciam milhares de artistas e propagandas.  Observando-se uma obra gráfica publicitária de certos produtos, é possível encontrar claras influencias de Mucha, mostrando que seu traço é atemporal e de grande impacto.

Ele também integrava a caligrafia com a arte, aumentando ainda mais o caráter publicitário de suas obras.

Já Beardsley, também teve grande influência e obras de grande distribuição, em livros e cartazes, porém seu sucesso se deu mais na Inglaterra, e não é tão reconhecido devido ao fato de ter uma produção menor graças ao seu pequeno tempo de vida, não se firmando como grande artista. Porém eram obras que tinham uma grande facilidade de publicação e venda, sendo utilizada por autores como Oscar Wilde.

Vemos que as imagens do Art Nouveau tinham grande apelo popular, e fáceis de serem representadas e impressas (linearidade, cores “chapadas”), e que se aproveitavam das novas tecnologias tipográficas. Aproveitando o sucesso do movimento, roupas, sapatos, leques, jóias, livros, embalagens de produtos e objetos do cotidiano, eram decorados com motivos do Art Nouveau, mostrando uma preocupação com a beleza do design do objeto, que se mantém até hoje.

BIBLIOGRAFIA

Pevsner, Nikolaus. Os Pioneiros do Desenho Moderno, Lisboa – Rio de Janeiro: Editora Ulisseia.

Leite, Aurea Bezerra Silva. O Corpo e a Alma na Representação Linear e Gráfica da Figura Humana em A. Beardsley, Rio de Janeiro: UFRJ, IFCS, 1986.

Argan, Giulio Carlo. Arte Moderna, São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

Sembach, Klaüs-Jürgen. Arte Nova: Taschen, 2007.

Fliedl, Gottfried. Klimt: Taschen, 1998.

Kallir, Jane. Viennese Design and the Wiener Werkstätte: Thames and Hudson.

Ulmer, Renate. Mucha: Paisagem.

Colquhoun, Alan. La arquitetura moderna – uma historia desapacionada.

Schorske, Carl E. Viena Fin-de-Siècle, Campinas: Companhia das Letras

NATHÁLIA BARROS ABATE ROTELLI  – 92766