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O Concreto Armado: inspiração para a geração moderna

24/07/2009


Introdução

O concreto armado foi uma inovação na arquitetura, pois através dele mudanças nas formas de se projetar e de pensar o ambiente e o espaço foram desenvolvidas.

Auguste Perret foi o arquiteto que iniciou essas transformações através de construções como o edifício da Rue Franklin e da Rue Ponthieu.

O concreto armado com toda sua flexibilidade também deu inspiração para os arquitetos do movimento moderno.

O concreto e sua história

O concreto já havia sido usado por arquitetos romanos e cristãos primitivos, mas durante a maior parte da Idade Média e da Renascença foi abandonado. Mas na segunda metade do século XIX, o concreto é usado para fins mais comuns.

Eiffel com a Pont Du Garabit de 1804, a qual seria considerada um triunfo histórico, pois conseguira uma solução para o problema da construção de uma ponte em um desfiladeiro. Em 1824 Joseph Aspdin produziu o cimento Portland (cimento hidráulico é aquele que endurece em contato com a água). Por volta de 1845 começa a produção industrial, e surgem as primeiras tentativas de associar o concreto ao ferro tentando dessa maneira atribuir a resistência a tração. E em 1847 F. Coignet projeta a primeira cobertura usando concreto e ferro para um terraço em Saint Denis, construída em 1852. No começo o concreto era usado em objetos de pequenas dimensões. Monier patenteia o concreto armado em 1855, depois de muitas experiências em seu jardim com a construção de floreiras, e a partir dessa data é usado em diversas dimensões como em tubulações, painéis, pontes, escadas, vigas, coberturas.

Ernest Ransome em 1870, nos EUA e François Hennebique na França, desenvolveram isoladamente sistemas de tramas estruturais com uso do concreto e barras de aço.

E em 1906 é assinado o primeiro regulamento oficial francês, no qual o concreto armado agora pode ser utilizado segundo suas garantias técnicas preestabelecidas.

O primeiro uso extensivo do concreto se deu na Exposição de Paris em 1867. O concreto é o mais flexível de todos os materiais, é um dos que menos determinam a forma.

O concreto e sua contribuição para a arquitetura

As novas transformações com materiais, como o ferro, as estruturas em aço ainda não era suficientes para criar uma nova arquitetura.

Com isso um novo material foi trabalhado, o concreto armado.

Em 1894 foi iniciada a construção da igreja St – Jean-de-Montmartre, projetada por Anatole de Baudot, que utilizava em sua estrutura o cimento armado e não o concreto, mas os efeitos de leveza e o tamanho dos entrecolúnios com os apoios aparentes teriam sido adequados. No exterior dessa igreja não houve uma grande expressão estrutural, mas no interior evidenciavam-se as estruturas, era nítida a distinção entre apoios e painéis de fechamento. Os arcos apontados e a expressão das nervuras sugeriam uma arquitetura medieval.

Na França surge também Auguste Perret, com a construção de apartamentos no número 25bis da Rue Franklin, em Paris, no ano de 1902, utilizava uma estrutura retangular em trama de concreto arquitravada. Nesta construção grandes aberturas de janelas foram feitas, houve o uso de se colocar o poço de luz na frente do prédio e não nos fundos. A planta era para ocupação de pessoas de classe média e dispunha as salas de estar no centro da fachada e com o sistema estrutural do concreto permitiu a criação de finas paredes internas e economias de espaço. O prédio possuía em seu primeiro pavimento um pé direito maior, caracterizando assim como uma unidade independente. Enquanto os outros andares acima tinham como características pequenos balanços e variações na profundidade das janelas dentro dos recuos em forma de U. A trama retangular não foi exposta diretamente, mas sua presença foi sugerida por cores e texturas contrastantes nos azulejos da fachada, enquanto o tema de painéis de fechamento não-estruturais foi sugerido por superfícies de cerâmica com padrões florais. Porém no sexto pavimento, a estrutura se livrara das superfícies de parede, sugerindo o tipo de imaterialidade e os efeitos de transparência, que seriam buscados pela arquitetura moderna da geração seguinte.

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Edifício 25 Bis

tati2Planta do Edifício 25 Bis

Em 1905, Perret se destaca com a utilização do concreto aparente ( protegido por tinta branca) no projeto do edifício garagem da 51 Rue de Ponthieu. A estrutura interna do concreto permitiu uma considerável flexibilidade no planejamento, ele buscou facilitar a circulação e o estacionamento de automóveis. O arquiteto procurou trazer ordem ao projeto mediante a um arranjo de vidraças, com isso transmitia a sensação de profundidade e organização dos padrões visuais verticais e horizontais.

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Edifício Garagem em 51                                                           Theatre dês Champs Elysees

Ao mesmo tempo em que a estrutura de concreto armado da Rue Franklin foi revestida de modo a sugerir uma construção de lintéis em madeira e o restante eram janelas ou sólidos painéis revestidos de mosaicos de cerâmicas. Enquanto os girassóis marchetados destes últimos conferiam ao edifício aquela qualidade Art Noveau fossilizada tão característica do fim da Belle Epoque, a estrutura em si e o planejamento aberto que permitia e apontavam para Le Corbusier e seu desenvolvimento posterior da planta livre. Perret se destacou pelo seu rigor da construção, a corajosa simplificação formal e junto à fidelidade a certas regras de composição tradicionais. As estruturas, e, portanto as fachadas são idealizadas instintivamente de modo simétrico, e os elementos construtivos embora simplificados, conservam uma inquestionável semelhança com elementos da decoração tradicional.

E em 1911 quando Perret e sua firma de construção já dominavam o uso do concreto armado na França, projetou o Teatro Champs-Elysees, no qual demonstrou a capacidade do concreto em vencer grandes vãos que foi usada para evitar obstáculos visuais ao palco. E que torna inspiração para a geração do movimento moderno da década de 1920.

A contribuição de Perret a geração mais jovem de artistas franceses está no tratamento flexível da planta. As divisórias são feitas com liberdade, a fim de ligar pilares de concretos distantes. Perret estava imbuído do mesmo espírito de Horta, e mais tarde para Le Corbusier.

A partir desse impulso do concreto armado, ele foi utilizado em projeto de fábricas, pois este ajudava na criação de grandes vãos para acomodar as novas técnicas de taylorizaçao. As características do concreto eram quase ideais para atender algumas necessidades de projetos, como o seu baixo custo, a sua padronização, a boa iluminação, a resistência ao fogo, a ventilação em geral a criação de interiores flexíveis. Com isso a morfologia típica de plantas-baixas moduladas e elevações retangulares simples em proporções agradáveis.

Posteriormente a esse desenvolvimento do concreto alguns arquitetos como Frank Lloyd Wright usa o concreto, pois achava um material atraente. Eugene Freyssinet e Robert Maillart também usaram na construção de pontes. Tony Garnier relaciona o uso do concreto armado para o planejamento urbano da cidade industrial.

Observamos que o concreto armado com seus benefícios foi muito utilizado nas construções e também serviu de inspiração para novas gerações, como os modernistas.

Bibliografia

Livros:

Espaço, Tempo e Arquitetura.

O desenvolvimento de uma nova tradição.

Sigfried Giedion

História da Arquitetura Moderna

Leonardo Benévolo

Arquitetura Moderna, desde 1900

William J. R. Curtis

História Crítica da Arquitetura Moderna

Kenneth Frampton

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